A Consciência

A consciência 

A consciência psicológica é o poder que possui o espírito de perceber a si mesmo. É a intuição que um ser tem das modificações que nele se processam, a função pela qual conhecemos nossa vida interior. 

A consciência pode ser considerada sob quatro aspectos: conteúdo (objeto à consciência); atividade (função psíquica unificadora da vida mental); violência (experiência vital, estado vivido das consciências); saber (conhecimento das coisas vividas ou aprendidas). 

A intencionalidade, isto é, o ato de tender a algo distinto de si mesmo, é o caráter de toda consciência atual. A consciência só existe, portanto, como consciência, algo distinto de si mesma, a consciência revela a objeto, revela a si mesma. 

Consciência psíquica 

Sob ponto de vista psicológico, a consciência caracteriza-se por uma atividade de síntese mental, que consiste em coordenar, num ato único de pensamento, um número, maior ou menor, de elementos psíquicos. O tipo dessa atividade sintética é representado pela atenção, que se manifesta pela unificação da vida psíquica nem sentido determinado, acompanhada de um grau elevado de consciência. 

A síntese mental pode ainda ser encontrada na percepção (consciência simultânea da direção geral do pensamento e da ligação lógica entre as proposições sucessivas). Todos os fenômenos psíquicos que não se encontram integrados nessa síntese mental, isto é, que se acham à margem do curso do pensamento principal, escapam à consciência. São elementos psíquicos que ficam isolados e ignorados do pensamento claro. 

Os atos que correspondem a esses elementos constituem as distrações; eles são inconscientes nesse momento, mas podem revelar-se à consciência por suas conseqüências. A intensidade da impressão não é como parece, o fator necessário e suficiente da consciência. Realmente, o fator intensidade é muito relativo. Tal fato exterior, que sobre um indivíduo produz impressão considerável, mal é percebido por outro, colocado, entretanto, nas mesmas condições externas, mas absorto em profunda reflexão. De outro ponto de vista, s intensidade é sempre mais ou menos relativa, pois depende dos interesses do momento. 

Depende também do hábito. Formas de consciência Consciência espontânea: é o conhecimento imediato que acompanha todos os fenômenos psicológicos. Poderia ser, por isso, melhor denominada consciência direta ou imediata, porque é a primeira impressão de nossos estados psíquicos. “Se não fosse essa consciência, todos esses estados nos iam ser estranhos, exatamente como os fenômenos da vida vegetativa. 

” A consciência espontânea é confusa e indistinta: é uma espécie de sentimento global da vida psicológica, pela qual esta nos é dada, sobretudo pela continuidade em seu fluir. Consciência refletida: é a volta deliberada do espírito sobre si mesmo, os fatos surgem bruscamente e se impõe ao nosso espírito. Na consciência refletida, nascem de uma elaboração, de uma reflexão mais ou menos prolongada. 

Podemos dizer que consciência refletida é a consciência de si mesma. Foulquié prefere distinguir, de um lado, a consciência imediata ou não-posicional, isto é, que não situa, não afirma nada, nem objeto, nem sujeito; de outro lado, a tomada de consciência ou consciência posicional, que situa ou afirma alguma coisa. Esta tomada de consciência é diretamente consciência do objeto. Nos seres capazes de reflexão, como o homem, ela se torna consciência de si mesma. 

Graus da consciência 

A consciência apresenta, vários graus de ou níveis de intensidade, clareza e concentração. Costuma-se destacar nela três zonas principais: a) a consciência propriamente dita que é a zona mais clara e intensa, chamada foco da consciência; b) o subconsciente, que é a zona parcialmente iluminada, marginal ou crepuscular da consciência; c) o inconsciente, que é a zona escura ou noturna da vida psíquica. 

Essas zonas não estão separadas, pelo contrário, acham-se unidas e em contínua integração. Todas dependem uma das outras. E a atividade sintética da consciência na sua função de adaptação ao real só consegue êxito graças à colaboração do subconsciente e do inconsciente. Entre essas zonas de maior ou menor intensidade da vida psíquica existem graus intermediários de consciência. A maioria admite a divisão clássica: consciência, subconsciente e inconsciente. Já os psicanalistas estabelecem outra divisão. Para Freud. A vida psíquica compreende três zonas: a do Ego, a do Superego e a do Id. O Ego compõe-se de elementos conscientes e pré-conscientes. 

O Superego é constituído pelo inconsciente recalcante; O Id., pelo inconsciente recalcado. Jung assinala na vida psíquica a consciência, o pré-consciente e o inconsciente. Mas divide este em inconsciente pessoal e inconsciente coletivo. Luís Juan Guerreio, a vida psíquica abrange três zonas: a) a zona propriamente consciente, onde se distinguem o foco da consciência e o campo marginal da consciência; b) a zona intermediária do umbral da consciência, que representa a consciência diminuída ou liminiar; c) a zona infraconsciente, que compreende a subconsciência ou consciência virtual, e a inconsciência ou consciência dissociada. 

Na realidade, a consciência é uma só com graus diversos de intensidade, clareza e concentração. É uma concepção espacial que não reflete, com fidelidade, a natureza unitária, global e dinâmica da vida psíquica.Essas zonas assinaladas pelos psicólogos só podem ser admitidas como hipóteses de trabalho para exprimir os diversos níveis da vida psíquica, em que a consciência se torna, cada vez menos clara, vivia e concentrada, à medida que os fenômenos psíquicos estão menos ligados às imagens pessoais do eu. 

Na mesma medida em que se desligam das imagens pessoais do eu., os fatos psíquicos tendem a transformar-se em puras virtualidades atualizam-se em razão e em proporção de sua relação com as imagens e os interesses pessoais do eu.Caracteres da consciência. A consciência possui os seguintes caracteres fundamentais: Dinamismo: os fatos de consciência se sucedem e se transformam, sem interrupção. Tonalidade: os fatos da consciência formam conjuntos unitários e coerentes. 

Estes conjuntos constituem diversos planos ou níveis de unificação. Os fatos da consciência forma estruturas complexas, inter-relacionadas, comparáveis a estratos superpostos, os processos de maior concentração mental determinam uma maior unidade consciente, enquanto que os processos psíquicos de menor tensão e maior dispersão se produzem num nível ou estrato inferior da consciência. 
Imediatismo: os fatos da consciência, em razão de serem a experiência que o sujeito tem de si mesmo, não admitem intermediário. 

Subjetividade: os fatos da consciência possuem sempre relação com um eu, são portanto, pessoais ao sujeito e, como tais, incomunicáveis e invioláveis. Esses fatos são incomunicáveis, invioláveis. É um mundo fechado. 
Intencionalidade: os fatos da consciência se referem sempre a algum objeto, isto é, tendem para alguma coisa. Daí o axioma fundamentalmente da femenologia: a consciência é sempre a consciência de alguma coisa e não dela mesma ou de seus estados. 

Prospecção: os fatos da consciência integram-se no comportamento do homem permanente é a adaptação ao meio e à realidade.Patologia da consciência. A consciência pode sofrer, em determinados casos, as seguintes alterações patológicas: 

Obnubilação: debilitação psíquica da convivência com diminuição se sua clareza e enfraquecimento da atividade intelectual. Nas intoxicações, nas infecções, nos estados demências, etc. 

Estado crepuscular: forma transitória de obnubilação, com alterações da percepção do mundo exterior. Observa-se na histeria, na epilepsia, nas psicoses tóxicas, etc. 

Onirismo: No sonho normal ou nos estados oníricos de certas psicoses, a consciência perde a tensão psíquica, dissocia-se, desintegra-se, torna-se incapaz de assegurar a síntese mental e é denominada pelas pulsões do inconsciente e do intestino. 

Coma: estado de sonolência e de torpor profundo acompanhado de suspensão, mais ou menos completa, da atividade psíquica, com perturbações da mortalidade e da sensibilidade.Função da consciência. A consciência constitui o instrumento de percepção do espírito pelo próprio espírito, órgão de adaptação da vida psíquica à realidade. 

Para o exército dessa dupla função, a consciência: a) por meio da atenção, escolhe, seleciona os fatos do mundo exterior ou interior; b) por meio da associação, reúnem os fatos em sínteses ou estruturas articuladas; c) por meio de hábito, assimila, isto é, integra no próprio seio os fatos escolhidos e associados; d) por meio do eu e da síntese e à ação. A consciência representa assim, o foco de convergência e de irradiação de toda a vida psicológica.


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